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O Tempo e os minutos

Vejo seu rosto em cada estrela

Seu corpo nas constelações

Você, que não tem face

Não tem rosto

Não tem ser

Silencio-me, procurando-te

E não encontro

Nem uma sombra

Nem um resquício

Nenhum som.


Tu corres de mim

Feito o vento que não posso pegar

Corres, e não posso te acompanhar

Só posso esperar suas pegadas

Deixadas por onde eu andar.


Às vezes me vences

E deixa-me cansada

Quando vejo passou tão rápido

Exato

Passas inquieto

Por vezes sussurante

Por vezes gritante

Por vezes alheio

Mas sempre presente.


Como expectador vemos passar

Nessa vida coadjuvante

És o ator principal

O tempo faz parte dos minutos

Um amigo semelhante.



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 23h31
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Colapso Novamente

Por vezes sinto febre

Não é de doença

Mas é uma febre interior

Que queima os meus sentidos

Meu corpo formiga, rasteja

Fico inquieta, ofegante

Uma dor insinuante

Que pesa em minha mente.


Sinto-me assim

Esse pesar insistente

Entro em colapso novamente

Jorrando...

Esses vapores

Sentimentais

Entro em delírios

Tal quais

Antes senti.


O vento bate na minha nuca

Mas parece

Dia ardente...ensolarado

Mas é noite

Muito quente

Tudo gira...gira

Vejo um mar

Sinto cheiro salino

Mas aqui só tem asfalto

Pois é interior do estado.


Olho a janela de novo

E vibro de insanidade

Cadê aquele que procuro

Onde está de verdade?



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 22h39
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A Poesia Viva

As palavras tem vida

Elas tem

Determinado poder

Assim também

A poesia

Ela tem raiz,

Tem sensações

Emoções

Em cada pessoa desperta

Algo diferente

Deixa rastros, marcas

Esse manuscritos na alma

De toda a gente.


Sejam doces, sejam amargas

Sejam reais, e enfadadas

A escrita pulsa

Abre-se sementes na terra

Brota seus ramos

Suga a seiva, desliza

Sim...a poesia tem vida.



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 23h43
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Um Pescoço

Imagem de Cris Carriconde www.naodiscuto.com

Um pescoço é

Nada mais que uma curva

Uma cútis nua

Uma continuação da face

Uma pele que estica

Um enlace

Um movimento

Que nos faz girar.


Pra alguns é um feitiche

Lugar sensível que resiste

Ao toque da mão

(Ui...não toque não!)


Um pescoço é

Nada mais que um pescoço

Um pedaço de osso

Envolto de nervos.


É...sonhei com um pescoço

De um belo moço

Tinha beijos de café

Mãos de poeta

Bebendo minhas palavras

Com a boca entreaberta.


É...mas não paro de pensar

Nesse pescoço inexistente

Hum...quem será?

Que tem pra me dar

Um pescoço de presente??



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 09h01
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Soneto na Madrugada

www.galeriadospaes.com.br

Tenho momentos de flutuações

Espamos, colapso, alucinações

Sinto-me por vezes limitada

Por escolhas que fiz insensatas.


Em momentos de alegria regresso

A um mundo só meu, retrocesso

E deixo fluir sempre viva a escrita

Mostro um pouco minha visão dita.


Porém não nasci pra remoer passado

Estudo as oscilações das coisas

Mas descrevo o passar deste enfado.


Pensando na minha vida e no nada

Estou acordada nessa madrugada

Quer mais café meu camarada?



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 01h28
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Bióloga Poetisa

Descobri que tenho vícios

Vícios despejando de minh´alma

Desejos profundos e incontidos

Primitivos que vem e volta.


Tenho o desejo pelo novo

A arte vista em outro estojo

Palavras biologicamente estudadas

A escrita completamente emoldurada.


Idéias depejam de mim

Incompletas

Incobertas

Assimétricas

Dialéticas

Escancarando a alma

Feito porta aberta.


Sendo minha face

Desconhecida

Digo o que quero

Para ser ouvida

Sem censura

Sem puritanismo

Sendo eu mesma

Bióloga Poetisa.


“Como o beija-flor estuda a flor todos os dias

Eu estudo a biologia da vida”



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 10h27
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Eras um Menino

Tinhas olhos grande e curiosos

Quando te amei eras assim

Eras um menino apenas

Com sonhos pueris.


Preocupado, ansioso

Querendo pegar o destino com as mãos

Não sabias o que era amor

Não sabias desse sabor

Apenas queria tudo

De sua forma, de seu jeito.


E eu te amava de longe

Com um coração já tão desprovido

Com um coração já sofrido

Tão massacrado que nem sei

Mas você veio tão triste

E em seu pranto tu me viste

E passaste a gostar de mim.


A vida tomou rumos

Desencontramos...

E o menino virou homem

E o homem reconheceu que

Que seu amor era só meu.


Que tolice, que leviandade

Caminhar muitos caminhos

Pra me encontrar e ver essa verdade.


Eras um menino

Seu destino já se cumpriu

Você escolheu e ninguém por ti

O nosso amor voou com o vento

Já se foi...não tem como ressurgir.



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 21h08
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Poemando

Pesquisando a desertificação

Pegue-me poetando

Poemando feito ramagem

Alisando as folhas na linguagem.


Plantei um verso puro

Cálido, virginal

Feito lírio branco intocado

Em meio ao lamaçal.


Plantei um prosa ardente

Fascinada, indecente

Que nem quero descrever

Viçosa toda prosa

Com pétalas perfeitas ao meu ver.


Plantei um soneto amarelo

Amigo, fraterno

Lindos girassóis no amanhacer

Buscando seu bocadinho de sol

Para poder resplandecer.


Fui estudando, pesquisando

Esse ambiente que vivo

Todos os dias

E nisso fui poetando

Poemando...

Acabou-se

Essa é a última linha!!!



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 20h52
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Gotejante e Contínuo

Tenho uma serenidade no olhar

Que vejo no espelho e me orgulho

Sinto esquecer-te

Naturalmente, gotejante

Todos os dias quando fecho os olhos

Sinto esse silêncio entre nós

Suas palavras não fazem mais ecos

Não fazem mais diferença

O brilho do seu olhar.


Dentro de mim só tem tranquilidade

Orvalho caindo e umidecendo

Preparando a terra para crescer a relva

Sinto-me viver outra vez

Sem esse extenso faltar

Sem essa amor que vem de ti

Essa dependência foi enfim quebrada.


Ao meu redor meu mundo não pára

Meus sentimento por ti

Estão sendo transformados

Contínuamente

Sua constante ausência

Não tem feito mais diferença.


Essa diversidade faz mais rico o meu ser

Mas parte do que sou hoje

Agradeço a você

E nessas gotas que a vida faz cair

Pouco a pouco te vejo partir

Partir...



- Enviado por: Rafaela Silva Santos às 20h37
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