
.: Créditos :.
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Vejo seu rosto em cada estrela
Seu corpo nas constelações
Você, que não tem face
Não tem rosto
Não tem ser
Silencio-me, procurando-te
E não encontro
Nem uma sombra
Nem um resquício
Nenhum som.
Tu corres de mim
Feito o vento que não posso pegar
Corres, e não posso te acompanhar
Só posso esperar suas pegadas
Deixadas por onde eu andar.
Às vezes me vences
E deixa-me cansada
Quando vejo passou tão rápido
Exato
Passas inquieto
Por vezes sussurante
Por vezes gritante
Por vezes alheio
Mas sempre presente.
Como expectador vemos passar
Nessa vida coadjuvante
És o ator principal
O tempo faz parte dos minutos
Um amigo semelhante.

Por vezes sinto febre
Não é de doença
Mas é uma febre interior
Que queima os meus sentidos
Meu corpo formiga, rasteja
Fico inquieta, ofegante
Uma dor insinuante
Que pesa em minha mente.
Sinto-me assim
Esse pesar insistente
Entro em colapso novamente
Jorrando...
Esses vapores
Sentimentais
Entro em delírios
Tal quais
Antes senti.
O vento bate na minha nuca
Mas parece
Dia ardente...ensolarado
Mas é noite
Muito quente
Tudo gira...gira
Vejo um mar
Sinto cheiro salino
Mas aqui só tem asfalto
Pois é interior do estado.
Olho a janela de novo
E vibro de insanidade
Cadê aquele que procuro
Onde está de verdade?

As palavras tem vida
Elas tem
Determinado poder
Assim também
A poesia
Ela tem raiz,
Tem sensações
Emoções
Em cada pessoa desperta
Algo diferente
Deixa rastros, marcas
Esse manuscritos na alma
De toda a gente.
Sejam doces, sejam amargas
Sejam reais, e enfadadas
A escrita pulsa
Abre-se sementes na terra
Brota seus ramos
Suga a seiva, desliza
Sim...a poesia tem vida.

Imagem de Cris Carriconde www.naodiscuto.com
Um pescoço é
Nada mais que uma curva
Uma cútis nua
Uma continuação da face
Uma pele que estica
Um enlace
Um movimento
Que nos faz girar.
Pra alguns é um feitiche
Lugar sensível que resiste
Ao toque da mão
(Ui...não toque não!)
Um pescoço é
Nada mais que um pescoço
Um pedaço de osso
Envolto de nervos.
É...sonhei com um pescoço
De um belo moço
Tinha beijos de café
Mãos de poeta
Bebendo minhas palavras
Com a boca entreaberta.
É...mas não paro de pensar
Nesse pescoço inexistente
Hum...quem será?
Que tem pra me dar
Um pescoço de presente??

Tenho momentos de flutuações
Espamos, colapso, alucinações
Sinto-me por vezes limitada
Por escolhas que fiz insensatas.
Em momentos de alegria regresso
A um mundo só meu, retrocesso
E deixo fluir sempre viva a escrita
Mostro um pouco minha visão dita.
Porém não nasci pra remoer passado
Estudo as oscilações das coisas
Mas descrevo o passar deste enfado.
Pensando na minha vida e no nada
Estou acordada nessa madrugada
Quer mais café meu camarada?

Descobri que tenho vícios
Vícios despejando de minh´alma
Desejos profundos e incontidos
Primitivos que vem e volta.
Tenho o desejo pelo novo
A arte vista em outro estojo
Palavras biologicamente estudadas
A escrita completamente emoldurada.
Idéias depejam de mim
Incompletas
Incobertas
Assimétricas
Dialéticas
Escancarando a alma
Feito porta aberta.
Sendo minha face
Desconhecida
Digo o que quero
Para ser ouvida
Sem censura
Sem puritanismo
Sendo eu mesma
Bióloga Poetisa.
“Como o beija-flor estuda a flor todos os dias
Eu estudo a biologia da vida”
Tinhas olhos grande e curiosos
Quando te amei eras assim
Eras um menino apenas
Com sonhos pueris.
Preocupado, ansioso
Querendo pegar o destino com as mãos
Não sabias o que era amor
Não sabias desse sabor
Apenas queria tudo
De sua forma, de seu jeito.
E eu te amava de longe
Com um coração já tão desprovido
Com um coração já sofrido
Tão massacrado que nem sei
Mas você veio tão triste
E em seu pranto tu me viste
E passaste a gostar de mim.
A vida tomou rumos
Desencontramos...
E o menino virou homem
E o homem reconheceu que
Que seu amor era só meu.
Que tolice, que leviandade
Caminhar muitos caminhos
Pra me encontrar e ver essa verdade.
Eras um menino
Seu destino já se cumpriu
Você escolheu e ninguém por ti
O nosso amor voou com o vento
Já se foi...não tem como ressurgir.

Pesquisando a desertificação
Pegue-me poetando
Poemando feito ramagem
Alisando as folhas na linguagem.
Plantei um verso puro
Cálido, virginal
Feito lírio branco intocado
Em meio ao lamaçal.
Plantei um prosa ardente
Fascinada, indecente
Que nem quero descrever
Viçosa toda prosa
Com pétalas perfeitas ao meu ver.
Plantei um soneto amarelo
Amigo, fraterno
Lindos girassóis no amanhacer
Buscando seu bocadinho de sol
Para poder resplandecer.
Fui estudando, pesquisando
Esse ambiente que vivo
Todos os dias
E nisso fui poetando
Poemando...
Acabou-se
Essa é a última linha!!!
Que vejo no espelho e me orgulho
Sinto esquecer-te
Naturalmente, gotejante
Todos os dias quando fecho os olhos
Sinto esse silêncio entre nós
Suas palavras não fazem mais ecos
Não fazem mais diferença
O brilho do seu olhar.
Dentro de mim só tem tranquilidade
Orvalho caindo e umidecendo
Preparando a terra para crescer a relva
Sinto-me viver outra vez
Sem esse extenso faltar
Sem essa amor que vem de ti
Essa dependência foi enfim quebrada.
Ao meu redor meu mundo não pára
Meus sentimento por ti
Estão sendo transformados
Contínuamente
Sua constante ausência
Não tem feito mais diferença.
Essa diversidade faz mais rico o meu ser
Mas parte do que sou hoje
Agradeço a você
E nessas gotas que a vida faz cair
Pouco a pouco te vejo partir
Partir...
