
.: Créditos :.
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Cedo demais...tarde demais

Imagem de Sofia
Cedo demais
Tarde demais
Vivemos sempre
Em antônimos
(Sempre contrários)
Que destinos!Que mimos!
Pode e não quis
Não pode e quer
Vivendo na ponta da colher
(Pouquinhos de sentimentos)
Ah...o que há?
Teve o final...já!
Foi-se!Acabou-se!
Cedo demais...tarde demais
Rastros de um amor
Que floresceu
(Foi sem dar adeus)
Cedo demais
E voltou
Tarde demais.
As folhas caem

Imagem de Suika
As folhas caem lá fora
O clima temperado faz ameno o ar
Eu lembro daquele lugar
Onde árvores há folhas vermelhas.
As folhas caem lá fora
E caem aqui dentro
Ai palavras ditas fora de hora
Só trazem no coração
Descontentamento.
Tudo vai se cumprir
Em seu determinado tempo
Feito estações do ano
Semear, regar, colher
Cortar os ramos...limpar
Tirar as ervas daninhas
E continuar a semear
Montando linhas num tear
E um tecido estampado
Fiar e fiar
Com folhas e cascalho
Minha colcha de retalhos.
As folhas caem lá fora
É outono, cheiro úmido e doce
De grama orvalhada,
De flores desfolhadas,
Céu lilás...nuvens acinzentadas
Ai que delícia
Essa temperatura moderada.
Oitava

Imagem de violino stradivarius de 1729
Se eu pudesse ter nas mãos
Quem me dera um dia ter
Feito notas da canção
As lembranças do meu ser
Se eu pudesse segurar
Os bons momentos que passei
Não poderia nada almejar
Que na vida tenho e além sei.
Aprendendo o vento

Foto de Flávio - beija-flor papo-verde
Que saudade tenho eu
Dos campos onde corri
Pulava, saltava
Como jovem colibri.
Estou aprendendo o vento
Aprendendo a sentir o vento
Aprendendo a brincar
De prender o vento
Ele passa por mim
Rápido
Me faz sentir leve
O seu tocar
Livre
Intenso
Tudo esses dias tem sido
Desanuviante
Feito miragem
Cheio de reticências
Doces interrogações.
Estou aprendendo
Como o colibri
A planar sobre a flor
A sentir esse sabor
De apreciar o vento.
Escuma contínua a “la Rosa”

A rosa disse:
"...meu descompassado coração,
Que inquietante pulsa no mesmo compasso
Do ir-e-vir das ondas que desagua
Nos braços involuntários
Dessa (DES) contínua E-S-C-U-M-A."
Ana, A Rosa do Deserto
As ondas embalam os sonhos
Dessa rosa do deserto
Que cansou das terras secas e áridas
E no mar despejou seu desejo
Derramou em cada verso
Cada palavra um sinal
Cada sinal R-I-T-M-A-D-O
Esse ritmo nada mais é
Que o bater embargado
Do coração que move como a maré
As ondas E-M-B-A-L-A-M
Escuma contínua na praia
A la Rosa...
Obs: Não resisti Ana, seu poema ficou tão inspirador,que fiz outro!
Escuma contínua

Imagem de Joe Taruga
Escuma contínua
Molha as beiradas do P-E-N-S-A-M-E-N-T-O
Que tem só o intento
E-M-B-R-I-A-G-A-R...S-E
De chuva transparente
Que invade e que enche
Escuma contínua
Molha as beiradas do...
A Entrega

Imagem www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/cristais
Num abrir e fechar de olhos
Te verei
Estenderei minhas mãos
E até a ti caminharei
Feito contemplação
Te seguirei sem reservas
Nesse ato o meu corpo
Não será apenas
Pele e ossos
Todas as células vibrarão
Multiplicar-se-ão
De forma espantosa
Elevando-se ao quadrado
Dobrando sua massa
E no quinto estado da matéria
Quantum...
Se comportarão os átomos
Serão luz...clara luz
Em momentos únicos
Num abrir e fechar de olhos
Esse momento eu saberei
Caminharei passo-a-passo
Especial, inesquecível
Nesse ato consagrado
Terá prazer, êxtase
Num olhar apenas
Quando eu te encontrar
E a ti me entregar
Serei completa
E a saudade que é desconhecida
Será satisfeita.
Chuva de outono

Imagem de Alice Allgayer
A chuva cai, o vento vai
E toca serenamente na minha face
Esse tempo refresca os meus dias
Repletos de calor e suor
Cai uma gota
Riscando ardentemente a pele
Fria, rutilante, leve
Coordenadamente cai
Cubro-me mais uma vez
Mas dessa vez de água
Perco-me nesse movimento
Contínuo e consistente
Meu corpo ferve
Com o impacto da chuva
As idéias fervem
Fervem orvalhadas sobre a terra
Fervem pelas mutantes palavras
Fervem...em meio a mente em guerra
Fervem...como estou cansada!
Deixo meu rosto molhar na janela.
A carne, os ossos, os olhos
Pousam sobre a cama
Deixam-se estender sobre o lençol
E o cheiro aromático invade
Todas as partes do quarto
Molha tudo lá fora
Molha a janela de vidros
Molha...e eu sonolenta adormeço
Nessa sinfonia outonal
Ao som das águas.